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Segunda Chance

6 de jun. de 2018
3 min de leitura

Não sei dizer o que aconteceu... senti cheiro de folhas. Aquele cheiro que a floresta ao redor de Guilnéas exalava durante a chuva, cheiro de passado, cheiro de casa, cheiro de quando minha única preocupação era bater carteiras e furtar pães e comida para não morrer de fome.


Minha vida passou diante dos meus olhos. Revi tudo o que fiz e, ao contrário do que geralmente acontece com as pessoas, eu não me arrependi de nada. Aliás, meu único arrependimento foi ter baixado a guarda com o jovem de cabelos castanho claros.


Antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo, meus pulmões voltaram a se encher de ar e eu levantei desesperadamente buscando por mais, como se tivesse sido aquilo, a ausência do oxigênio que tivesse me levado à óbito, ou quase isso... nem me lembrava que foram duas facas nas minhas costas que quase me mataram.


Apoiei uma das mãos no chão molhado do meu sangue, enquanto a outra instintivamente começou a procurar os cortes nas minhas costas. Estavam fechados e apenas uma pequena linha de cicatriz havia restado.


Foi então que percebi. À minha esquerda, um worgen me olhava com... não sei dizer, mas não parecia amigável, e à minha direita um urso, claramente um druida e, pelo cheiro de cachorro molhado, um worgen também.


Parecia que estavam discutindo sobre mim. O da minha esquerda não parecia contente em estar ali e dizia algo sobre ir embora.


Então resolvi perguntar o que havia acontecido, mas não estava pronta para a resposta que recebi. “Você estava caída no chão nessa poça de sangue. Vimos o que aconteceu e paramos para ajudar ou você iria morrer.”. Ajuda... eu nunca havia recebido ajuda na minha vida. A regra sempre foi simples para mim: sujo as mãos para os outros e recebo valores por isso. Se quero algo e não posso pagar, eu furto...


Eles então trataram de se apresentar. O urso chamava-se Mikerinos e aparentemente tinha problemas de personalidade, que eu só fui entender melhor mais tarde, e o worgen com cara de poucos amigos chamava-se Gankhan. Ambos druidas, apesar de não ter visto Gankhan assumir qualquer forma animal.


Eles continuavam falando, mas a minha cabeça girava e eu não conseguia acompanhar, além do que, a única coisa que eu pensava era que, se não fosse por eles, eu estaria morta. De alguma forma, um sentimento estranho (um sentimento já seria estranho por si só) de gratidão se instalou em mim.


Eu amava viver. Eu vivia do jeito mais baixo e sujo que alguém pode viver, mas eu amava isso e quase que isso havia sido tirado de mim. Nunca senti lealdade, gratidão, fidelidade, reconhecimento e nem nada relacionado à qualquer pessoa ou coisa, mas eu estava viva e era porque alguém me deu uma segunda chance.


“Vocês me salvaram...” eu falei alto enquanto pensava assimilando a história e Gankhan me encarou dizendo: “Apenas porque o urso insistiu. Por mim, nós teríamos ido embora.”.


Era tudo que eu precisava saber para não nutrir qualquer coisa pelo worgen à esquerda. Quanto à Mikerinos... era à ele que eu devia minha segunda vida e faria valer a pena.


“A cura não ser nosso forte, mas fizemos o possível.” disse-me Mikerinos.


Me levantei e me apresentei, não escondendo nada sobre mim. Me transformei mostrando que era igual à eles, uma worgen. Disse também que era uma mercenária, mas que devia minha vida à ele, e antes que pudesse perceber, estava jurando minha lealdade ao druida “Minhas adagas estão à sua disposição agora, senhor Mikerinos”.



Continua...


 
 
 

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